Instituto Hypnos

sexta-feira, agosto 25, 2006

::: PÍLULAS :::

Como sempre, faça chuva ou faça sol, ou mesmo com a umidade relativa do ar em 5%, lá vão as desta semana:


Primeiro as primeiras coisas

Pois é, durante essa semana aconcheguei-me no sofá e, sistematicamente, vi todas as propagandas do horário político. Antes que vocês pensem que vou achincalhar nossos candidatos, vou apenas dizer uma ou duas palavras sobre as propostas, sempre balizadas e imbuídas de tão grande cuidado e atenção por nosso País (lembrei-me até do Salmo 68: O zelo por Tua casa me consome....).

Por conta de tal zelo os "pretendentes da viúva", como diz aquele colunista, estão realmente querendo fazer o possível e, principalmente, o impossível pelo país: todos eles vão dar Prioridade à Educação, Prioridade à Saúde, Prioridade às Reformas, Prioridade à Segurança e por aí vai. Assim, fiquei espantado com tantas "prioridades" e quis comentar aqui... Mas, como eu sou muito jovem e não entendo nada de política, fui consultar o "Pai dos Burros", como dizia a minha tia, pra saber como pode isso. Lá vão as nobres palavras do Sr. Aurélio:

pri:o.ri.da.de = sf. 1. Qualidade do que ou de quem é o primeiro; primado. 2. Precedência dada a alguém, com preterição de outrem [primazia].

Pois é, vocês já adivinham o que eu vou perguntar: Como podem ter a Educação, a Saúde, as Reformas e a Segurança em primeiro lugar. Ora, como diria neste momento nosso célebre amigo Aristóteles, se tudo é primeiro, nada o é. Se tudo é prioritário, nada o é. Uma coisa é dizer que a prioridade em relação à Educação é x, a prioridade em relação à Saúde é y e que isso constitui o conjunto de prioridades relativas a cada área. Mas dizer que tudo vem em primeiro lugar... Quantos primeiros lugares existem?!?

Sabemos que as necessidades são enormes mas, pelo amor de Deus, alguém pode realmente definir UMA prioridade? Ou então banir o uso dessa palavra que esvazia de sentido todo discurso e enfastia quem presta o mínimo de atenção?

***


Ainda a Educação

Pois é, este que vos escreve ainda é um rapaz utópico que acha que esse é o único meio de desenvolvimento humano e, portanto, social, econômico etc. Por esta semana, passei os olhos em algum lugar que dava dados sobre a última pesquisa feita no Brasil sobre número de livros lidos por ano e fui atrás de algumas outras informações. Encontrei a página do PNLL - Plano Nacional do Livro e Leitura, do Ministério da Cultura.

Da página sobre as metas até 2008, selecionei, dentre outras, as seguintes, não pelos objetivos, mas pelos dados que elas veiculam:

"Aumentar o índice nacional de leitura em 50% (de 1,8 para 2,7 livros por habitante/ano)" - Isso quer dizer que o brasileiro tem a ridícula média de menos de dois livros lidos por ano.

"Implantar bibliotecas municipais em 100% dos municípios do País" - Saber que há municípios que não têm nem saneamento básico não faz ser menos vergonhoso o fato de que há cidades sem ao menos uma biblioteca.

"Ampliar de 47% para 57% o índice de pessoas, acima de 14 anos e com hábito de leitura, que possuem pelo menos 10 livros em casa" - Menos da metade das pessoas do país têm ao menos 10 livros em casa. Descontados dicionários, bíblias e livros didáticos das crianças, o que sobra então?

Nunca é demais lembrar desses dados...

Passeiem também pelo site da Câmara Brasileira do Livro e pelos links que por lá encontrarem.

Abraços e até a próxima.

GF.

PS: Obrigado pelo elogio, D. Candinha...