Instituto Hypnos

terça-feira, maio 02, 2006

No Limite do Humano




Para além das observações mais imediatas que irrompem já nos primeiros momentos do filme - sobre racismo, minorias étnicas e exclusões sociais -, Crash - No limite, merece mais cuidado. O locus onde se desenrola a narrativa não é apenas uma grande cidade dos EUA, mas é todo o Ocidente moderno - ou pós-moderno, que seja - que se impõe com severidade em toda sua tensão imanente, que deixa-se entrever pelas reações abruptas dos personagens e seus respectivos conflitos.

A tensão da qual falamos é o próprio páthos ético, e eis a universalidade da problemática levantada pelo filme (o que garante uma boa parcela de seu sucesso). Entre decidir atravessar a rua ao ver pessoas suspeitas ou sujeitar-se à humilhações empreendidas pelo Estado, os embates aparentemente escorados em questões raciais ou declives sociais, fazem apenas ressaltar todo o pano de fundo valorativo em que nos encontramos. Assim, ver o filme é também colocar-se em xeque na medida em que estamos todos submersos nesse mar de insegurança quanto ao futuro que nos faz viver em grandes cidades como viveríamos em grandes trincheiras.

Vejam e depois me contem.

GF.