Instituto Hypnos

sexta-feira, setembro 01, 2006

::: PÍLULAS :::

Olá minha gente. Vamos aos "drops" desta semana.

Diz-que-diz-que

Segundo o já famoso por aqui Sr. Aurélio, a expressão acima quer dizer boato, falatório, intriga. Pois bem, é a isso que se resume a maioria do noticiário sobre política e, mais especificamente, sobre as eleições, quando não estão a falar de agenda de candidatos ou dando informação tão relevantes quanto. Façam a experiência de prestar atenção aos títulos das colunas nos jornais impressos ou, até mesmo, no rádio e na TV: "X diz que vai fazer....", "Y diz que não vai mais tolerar...", "Z diz que se eleito...".

A verdade é que, fora alguns bons articulistas, estamos abandonados à uma espécie de ciranda da informação da qual não conseguimos nos desvencilhar. E na esmagadora maioria ela se resume à narração de fatos, dados ou ainda, opiniões nem sempre bem pensadas ou articuladas. A ausência de espessura crítica na mídia chega a ser patética, já que o discurso oficial é de que o "4º poder" é decisivo na formação das opiniões e das mentes dos incautos leitores. Ora, a questão é: se somos assim tão dependentes da imprensa, isso quer dizer que não conseguimos forjar por nós mesmos nossos juízos sobre o que se passa por aí. Então, o simples fato de nos arremessarem na cara dados, estatísticas, programação de candidatos e citações dos mesmos, só serve para que colecionemos "informações" para destilá-las depois à mesa do bar no "happy hour" já que o "plus", que seria ao menos uma ponta de interpretação, nos é ostensivamente negada.

Eis então o dilema: ou somos ineptos para a crítica por nós mesmos e a imprensa acaba por endossar nossa estupidez ou somos capazes de leitura interpretativa e de análise e os meios de comunicação são meros expositores de dados, quase como uma lista telefônica, à qual recorremos já tendo em mente, de certa forma, o que procuramos.

E por falar em estupidez

Caros amigos, compartilhem comigo do meu sofrimento: moro em uma das ruas mais centrais da minha cidade, o que quer dizer que, durante essa gloriosa época de exercício da democracia - que como já disse Luís Fernando Veríssimo é coisa do demo -, tenho os ouvidos massacrados quase que durante todo o dia por jingles de candidatos que chegam a levar à insanidade. À semelhança de Alex DeLarge, o personagem de Laranja Mecânica, somos obrigados a, no nosso caso, ouvir musiquinhas terríveis, com melodias duvidosas e trocadilhos infames, como de um candidato a deputado estadual que tem como sobrenome o nome de um animal e propala aos quatro ventos em seu jingle, em ritmo de rumba (!!!): "Vote no SOBRENOMEDOCANDIDATO para não dar Zebra".

Pois é, vocês acharam engraçadinho né? Eu também. Mas depois da ducentésima quadragésima sétima vez, estou abominando. Não votaria nesse infeliz nem pra porteiro de prédio ou salva-vidas de aqüário. E fico pensando que eles devem achar que somos muito, mas muito, mas muito idiotas mesmo. Sem falar na falta de senso de humanidade desse sujeito ao passar, como contei só esta manhã, 7 vezes no mesmo quarteirão, i.é. o meu.

Políticos do meu Brasil

Além do site do Perfil Transparência Brasil, foi lançado por esses dias o site Políticos do Brasil, que também tornou-se livro, e divulga informações dos rendimentos e das rendas dos políticos, além de uma série de outros dados.

Dá uma passadinha por lá.

Abraços.

GF