Instituto Hypnos

sábado, março 31, 2007

Olá meus caros. Vamos às pílulas.

Popozão

Então que tudo bem um vereador falar umas coisas assim?

"Agora, assume a Marta Suplicy e a primeira proposta dela é para acabar com o tal do turismo sexual. Pelo amor de Deus minha gente, vai prender um turista porque ele levou pro motel uma menina de 16 anos?",

E ainda não contente:

"As meninas com um 'popozão' desse tamanho, os peitos como uma melancia e rodando bolsinha, aí o turista pega e passa a ripa. Tenha piedade".

Para além do vocabulário que mais lembra comentários à porta de um baile funk, o conteúdo da fala do vereador Agnaldo Timóteo (do PR, que pra quem não lembra é o famigerado PFL), que chegou inclusive a ser publicada em Diário Oficial, também não deixa de ser bizarro. isso me leva a pensar em coisas como quebra de decoro e a descobrir que não há uma boa definição do que isso seja. A Constituição cita que um deputado ou senador pode perder o mandado por quebra de decoro, mas não diz o que ele é:

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:

I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;

II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;

Fuçando por aí em busca de artigos relacionados, encontrei este aqui, com o seguinte comentário:

?o procedimento do congressista atentatório dos princípios de moralidade, ofensivos à dignidade do Parlamento, maculando o comportamento do bonus pater famílias?. ou ainda a citação de outro doutrinador: " [atitude] atentatória ao decoro parlamentar a conduta que fira aos padrões elevados de moralidade, necessários ao prestígio do mandato, à dignidade do Parlamento...?.

O que nos leva a outra questão: se não é claro o que seja quebra de decoro, como esse "conceito" (ou falta dele) é tantas vezes invocado nas falas e processos parlamentares? Pura má retórica? E nós, como ficamos nesse tipo de jogo que brinca com a reflexão sobre o ethos das assembléias? Chame o síndico, ou melhor, Sócrates.

Mas tudo bem. Como diria o ilustre vereador, "ripa" na gente.

Leia a notícia aqui. E a réplica do digníssimo vereador em seu site oficial.

Dez teses contra a Babel

Este é o nome de um pequeno texto, ou uma coleção de aforismos, publicado por Luiz Felipe Pondé, do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP, na Folha de S. Paulo no último dia 20.

Aviso aos pós, pós, pós-modernos (seja lá o que isso for), não cliquem no link abaixo:

Leia o artigo aqui, para além de bobagens que a gente ouve por aí....

Malvados

Estava pensando por estes dias, que nunca postei aqui o link para o site de um dos mais geniais quadrinhistas da chamada nova geração. Impossível não rir com os sardônicos Malvados, de André Dahmer. Obrigatório.

Ahn, e por falar em "nova geração", Allan Sieber também deve ser conhecido.

Abraços.

GF.

sábado, março 17, 2007

Pílulas - 17 de março de 2007

Olá amigos. Ei-las:


300 de Esparta

Como diria o poeta, guerra é guerra e vice-versa. Tá bom que estes filmes "épicos" sempre deixam a desejar, mas só o fato da tentativa de filmar a história, já vale por si. Ainda tem o "plus" de ser uma adaptação a partir dos quadrinhos de Frank Miller (Sin City). Eu já assisti - via net - uns pedaços do filme e o negócio promete.

Veja o trailer aqui

Site Oficial dos Quadrinhos e do Filme no Brasil


Não tem a menor noção do que seja a história dos 300 de Esparta? Dá uma olhada aqui.

Passaporte Panda

Eu sou um tanto reticente - preconceituoso talvez - quanto à eficácia e mesmo à idoneidade destas ONGs e fundações de proteção aos animais e à natureza em geral. Mas estou fazendo uma experiência muito interessante com um novo programa da WWF mundial: é o Passaporte Panda: um programa da WWF que notifica os cadastrados sobre querelas - inclusive judiciais - sobre questões de meio ambiente, informando o email ou site de contato para que pessoas no mundo inteiro enviem emails ou mensagens de reclamação e reivindicação. Atenção para a galeria de problemas resolvidos com a ajuda dos internautas. Boa iniciativa para sedentários ambientais.

Educação

Para quem quiser dar uma olhada em notícias sobre o novo Plano de Desenvolvimento da Educação.


Abraços.

GF

quinta-feira, março 08, 2007

MULHERES.... Dia Interncional?


Hoje, Dia Internacional da Mulher, tenho que escrever algo, me parece... Porém, encontro nos jornais e nos noticiários da TV essa história de "feministas". Se separarmos a época da queima dos soutiens nos EUA e de alguns comícios pedindo certa igualdade social para as mulheres no mundo do trabalho, o que é, afinal, "feminismo"? Hoje, não tenho a mínima idéia. Naquela época foi uma novidade...

Dizer que o cérebro masculino é diferente do feminino por isto ou aquilo; dizer que mulher é mais intuitiva do que o homem; dizer que (essa é nova!), mulher é menos engraçada do que homem; dizer que... e por aí vai... é uma bela asneirice à la Emilia, do Monteiro Lobato. Não quer dizer nada, não serve para nada, não ajuda em nada, porque o caminho das pedras não é por aí.

Sem pretensão de ensaio, e drasticamente resumindo o que penso, historicamente a mulher é parideira, mantenedora da raça (qualquer raça). É, em alguns povos, artesã, plantadora, etc., e não caçadora. Em outros povos também caça, enquanto os homens também plantam... Historicamente, ela tem funções relacionadas ao que hoje chamamos de "casa", e os homens ficaram com as funções a que hoje chamamos de "políticas". Historicamente, há grupos que misturam tudo isso.

Então, o que fica mesmo de específico é que a mulher é parideira e o homem não, apesar de sem ele não se poder parir.
Claro que a noção de "casa" mudou muito ao longo dos séculos, de modo que não está muito claro o que significa a mulher ser mais "do lar ", como gosta de dizer um amigo meu, unindo as duas expressões ("dolar"). Quando a familia - como a imaginamos hoje - surgiu, as funções femininas eram melhor delineadas, mesmo porque, se a mulher não cuidasse da casa, da criadagem quando houvesse, dos filhos, da educação deles e otras cositas más, os homens não poderiam fazer o que faziam fora de casa. Mas, isso são águas passadas. E não vale para os pobres, pois todos trabalhavam, homem, mulher, filhos...

Grandes familias, de grandes fortunas - um resto persistente da familia burguesa e sua saga - ainda mantêm, nestes tempos de neocapitalismo, esses pilares de poucos séculos atrás, e a mulher tem funções relativamente definidas. Só nesses núcleos os valores do imaginário feminino enquanto "cuidadora da familia" ainda valem. E, claro, naquelas familias que copiam a qualquer custo esse final da grande familia burguesa, e que são as "imitações pequeno-burguesas" das grandes familias.
Desculpem a linguagem aparentemente ultrapassada (burguesa, pequeno-burguesa...), mas as estou usando no sentido de raiz e não como discurso "assembleístico".

Ora, tudo isso é para dizer que nós, mulheres, estamos à deriva quanto ao imaginário sobre nós mesmos, sobre funções, sobre feminilidade, feminismo, familia, filhos, et caterva.... Não nos iludamos! Afora os hormônios e o parto pouco sabemos de nós mesmas. E vs podem pensar que também os homens nada sabem sobre si mesmos, e eu concordo, mas não há Dia Internacional do Homem., então, vou fazer de conta que um não é espelho do outro para conhecimento mútuo, mas sabemos que são, certo?

Procuram-se novos adjetivos para a mulher. Quem procura? Homens, em geral, e mulheres que não têm consciiência crítica sobre si mesmas. Aparecem grupos "feministas" a favor do aborto, a favor da equidade em salários, na busca de apoio estatal para creches, escolas, etc., do contrário as mães não podem trabalhar. Certíssimo! Mas, por que um grupo se forma como "feminista" para tais exigências que são, na nossa época, ideologicamente corretas e universais?

Bem equiparando, imaginem o "movimento estudantil" ir às ruas para exigir que não se mate mais?! "Movimento estudantil"? Ora, é um nome que um grupo e a mídia adotam para forçar a existência de um rosto social, mas todos estaríamos dentro do tal "movimento estudantil", uma vez que não matar é algo desejado universalmente. Nessa lógica, criar grupo "feminista" para exigências universais é um tanto incongruente ... Já sei, vou sofrer pauladas por tais afirmações.

Assim, só para lembrar que os nazistas exaltaram o "Dia das Mães" nos seus discursos pátrios, e os homens de hoje criaram o "Dia Internacional da Mulher", e se há uma ideologia clara na exaltação do primeiro ("Dia das Mães" no nazismo), pergunto qual a ideologia que está no segundo (Dia Internacional da Mulher")? Tenho direiito à pergunta, não? Já pensaram? Eu tenho minha leitura. V tem a sua?

Sinto muito, mas minha impressão é de que há um engôdo a mais que se criou em nossa história, e é um engôdo bem forte. Tão forte que eu mesma estou escrevendo estas coisas no "Dia Internacional da Mulher".


R.Gazolla


*Em tempo: a maior asneira que li hoje foi o suplemento da Folha (Mulher) dizendo que "...as feministas brasileiras estão diante de um novo desafio: rejuvenescer ou perecer." Há uma crítica a tal palavra de ordem, mas a primeira pergunta - que vicia todo o conteúdo do suplemento - é: de que feministas (se existem) se está falando? onde estão essas "!brasileiras"? De onde retiraram esse tal de "desafio"? Ei... vs estão brincando comigo???

domingo, março 04, 2007

Aqui e acolá...

1. Êta, língua pátria, êta, lógica pátria!!! Deu na Folha, primeira página, de domingo (hoje)": "Famílias desestruturadas deixam índios desnutridos"i. É sobre a questão de os bebês indígenas estarem morrendo por desnutrição e, ao que tudo indica, parte por problemas dos próprios pais. Então, o título certo seria: " Famílias indígenas com desnutrição indicam índios desestruturados". Não é? Um pequeno erro, porém de graves conseqüências para nosso pensamento, entre sujeito, predicado, complemento, etc... Os indígenas, na tentativa do Estado em aculturá-los (argh!), têm mostrado confusão de valores (lógico!) e entram, com rapidez, no alcoolismo e até em pequenos crimes. Eu já li esse quadro antes, bem antes, na bela obra de Roger Bastide sobre os negros no Brasil, após a "libertação" assinada pela Princesa Isabel.

2a. Segurei a pena, segurei.... Mas, o comixão é forte. Meu colega estimado, Renato Janine Ribeiro, diretor da CAPES, é um homem público, assim como o espaço de um jornal é um espaço público. Vai daí que Renato Janine, indignado, não segurou a indignação e usou um espaço público para falar dos seus sentimentos. Aliás, o Prof. Janine trabalha com Política e Paixões há muito tempo. E esse dado é importante, e sabemos, até bem antes de Maquiavel, que não há possibilidade, a não ser por meio de uma cirurgia devastadora, de afastar Política e Paixões. Janine sabe bem disso. Mas....pois é, há um mas... pelo cargo que ocupa há que ter cuidado ao expressar sentimentos que jamais serão só sentimentos mas também é Política. Se eu quisesse mandar uma carta a um jornal sobre a minha indignação quanto a um crime, ou quanto a um rompante do prefeito,
etc..., eu o faria, mas ninguém leria o que escrevi do mesmo modo como leriam o que Janine, dado o seu cargo na CAPES, dissesse. Certo?

2b. Ora, sabemos que quando a mídia acha um assunto para falar, deuses!!!, costuma repeti-lo ad nauseam e os aproveitadores narcisistas, que gostam de aparecer na mídia, os bem intencionados, os inimigos políticos do professor, os jornalistas que têm que pensar no que dizer para preencher seu espaço e fundamentar seu salário... todos, por motivos diversos, escrevem a respeito... e escrevem, e escrevem... e repetem, e nada dizem substancialmente. Por que? Porque o intelectual, como aquele que poderia e deveria pensar nos assuntos cruciais de nossa época e expô-los para argumentos - argumentar é algo a que leitores e intelectuais estão esquecendo que existe - não costumam fazê-lo. E por que não o fazem? Não sei. Ou não têm espaço para isso, ou não conseguem pensar com clareza para oferecer algo para debate de fato. Não sei, mesmo porque é bem difícil, muito difícil, pensar hoje com clareza e argumentos.

2c. Então, se de um lado o meu colega estimado errou a mão ao expressar sua indignação (de todos nós) diante de um acontecimento escabroso como tantos que pipocam todos os dias na mídia e deveria ir adiante em argumentações - o eu se espera do intelectual -, de outro, a mídia nada falou à altura; contentou-se em distilar críticas (no mau sentido da palavra crítica), abriu espaços para esse tipo de crítica (muito pessoal, muito primitiva!) e.... e nada. Uma lástima tudo isso!!! *escrevo sabendo que o professor Janine escreverá no MAIS neste domingo. Se eu tiver algo a falar sobre seu escrito - se houver argumentos para eu falar e se eu souber argumentar a respeito - assim farei. Do contrário, não. E como disse o respeitado sr. Mindlin,se me permite ele reproduzir sua frase, aqui, sobre a discussão em torno do texto de Janine num grupo que almoçava: " o Renato Janine é moço de valor!!" Pois é. Eu também acho. Devagar com o andor, portanto. Ou sabemos o que argumentar quando for o caso, ou ..... vamos parar com esse tchi tchi tchi de alta costura.

Falo mais sobre aqui e acolá na próxima semana.

R.Gazolla

quinta-feira, março 01, 2007

Umas e outras


É impressionante o que o nosso bloguista de plantão, Gabrirel Ferreira, oferece no link de seu último texto: uma visão das explosões solares. Desde 1996, os problemas cosmo-terrestres, gravíssimos, estão pautando aqui e ali algumas revistas científicas. Um pouco disso a mídia nos passa. Claro que na sua simplicidade (no mau sentido), ela bate na questão do "efeito estufa", mas sabemos que não se trata só disso. Parece que deixar de queimar matas, cuidar da emissão de gases poluentes está relativamente dentro de nossa capacidade de transformação - e assim mesmo, que dificuldade, hein!. Já meteoro que se encaminha na direção exata de nosso belo planeta, as explosões solares acirradas nos últimos dez anos (pelo menos que contamos em nosso pobre calendário humano), as bombas atômicas que explodem há décadas abaixo da terra e abaixo do mar provocando, depois de algumas semanas, terremotos em lugares distantes (distantes??? em nossas medidas, não é?), bem, isso tudo fica meio na superfície das notícias. Talvez seja melhor não pensar muito.... e olhar o prefeito de São Paulo nos seus rompantes...


Hugo Chávez está errando a mão nas últimas ações que vão além dos discursos. Como já disse antes, uma coisa é o discurso para a "classe" a, b, c,d ou o que quiserem. Outra coisa é agir ... como Evo Morales e Lula e outros presidentes que têm discursos e ações variadas para estamentos sociais variados em ocasiões variadas. Chávez também faz isso. No entanto, se mostrava as manguinhas com certo pudor antes da última eleição, agora está se afastando de uma possível convivência latino-americana ao fazer valer com entusiasmo a censura e imaginar um discurso/ação próprios para criar sua própria geopolítica global. Hum... que deu na cabeça desse militar? A Venezuela é pobre, muito pobre. A diferença entre os estamentos sociais é muito, muito grande. Se achamos que aqui, no Brasil, a coisa é feia, façam um passeiozinho até a Venezuela... e só lancem uma "mirada".


Quem assistiu o filme Babel viu o que significa uma arma (qualquer) e a rede de problemas que ela provoca. Uma arma em cada uma das histórias é suficiente para uma explosão de sentimentos, desde a rara amizade até a mais comum das emoções - muito primitiva, aliás - que hoje mais se vive: o medo. O medo provoca a fuga de "algo", sem que se possa pensar nesse "algo", o medo bloqueia o pensamento, bloqueia o homem como propriamente humano, apaga tudo o que aprendeu, à custo, com a civilização, retira os critérios, retira a identidade. Não foi sem razão que S.Freud, no "Futuro de uma Ilusão" está tão desconfortável com o tal "retorno do reprimido". Leiam esse texto, ao menos por curiosidade.


É, a mídia é importante Gabriel Ferreira, nosso bloguista, mas... sua importância está limitada em informar, e não tem sidos assim. Criamos uma aura dourada em torno do que chamamos de "liberdade da imprensa" e, agora, ela faz a cabeça, entorta, desentorta, aquece, esfria, mente e... nós atrás. Nosso cérebro parece que está fundindo, a exemplo do Sol ( e aqui fecho o que tenho a dizer com o começo deste texto) que, se fosse imaginado como um cérebro, está fundindo.

Prometo que dia desses tentarei falar do amor, da amizade.... Tentarei...
R. Gazolla