Aqui e acolá...
1. Êta, língua pátria, êta, lógica pátria!!! Deu na Folha, primeira página, de domingo (hoje)": "Famílias desestruturadas deixam índios desnutridos"i. É sobre a questão de os bebês indígenas estarem morrendo por desnutrição e, ao que tudo indica, parte por problemas dos próprios pais. Então, o título certo seria: " Famílias indígenas com desnutrição indicam índios desestruturados". Não é? Um pequeno erro, porém de graves conseqüências para nosso pensamento, entre sujeito, predicado, complemento, etc... Os indígenas, na tentativa do Estado em aculturá-los (argh!), têm mostrado confusão de valores (lógico!) e entram, com rapidez, no alcoolismo e até em pequenos crimes. Eu já li esse quadro antes, bem antes, na bela obra de Roger Bastide sobre os negros no Brasil, após a "libertação" assinada pela Princesa Isabel.
2a. Segurei a pena, segurei.... Mas, o comixão é forte. Meu colega estimado, Renato Janine Ribeiro, diretor da CAPES, é um homem público, assim como o espaço de um jornal é um espaço público. Vai daí que Renato Janine, indignado, não segurou a indignação e usou um espaço público para falar dos seus sentimentos. Aliás, o Prof. Janine trabalha com Política e Paixões há muito tempo. E esse dado é importante, e sabemos, até bem antes de Maquiavel, que não há possibilidade, a não ser por meio de uma cirurgia devastadora, de afastar Política e Paixões. Janine sabe bem disso. Mas....pois é, há um mas... pelo cargo que ocupa há que ter cuidado ao expressar sentimentos que jamais serão só sentimentos mas também é Política. Se eu quisesse mandar uma carta a um jornal sobre a minha indignação quanto a um crime, ou quanto a um rompante do prefeito,
etc..., eu o faria, mas ninguém leria o que escrevi do mesmo modo como leriam o que Janine, dado o seu cargo na CAPES, dissesse. Certo?
2b. Ora, sabemos que quando a mídia acha um assunto para falar, deuses!!!, costuma repeti-lo ad nauseam e os aproveitadores narcisistas, que gostam de aparecer na mídia, os bem intencionados, os inimigos políticos do professor, os jornalistas que têm que pensar no que dizer para preencher seu espaço e fundamentar seu salário... todos, por motivos diversos, escrevem a respeito... e escrevem, e escrevem... e repetem, e nada dizem substancialmente. Por que? Porque o intelectual, como aquele que poderia e deveria pensar nos assuntos cruciais de nossa época e expô-los para argumentos - argumentar é algo a que leitores e intelectuais estão esquecendo que existe - não costumam fazê-lo. E por que não o fazem? Não sei. Ou não têm espaço para isso, ou não conseguem pensar com clareza para oferecer algo para debate de fato. Não sei, mesmo porque é bem difícil, muito difícil, pensar hoje com clareza e argumentos.
2c. Então, se de um lado o meu colega estimado errou a mão ao expressar sua indignação (de todos nós) diante de um acontecimento escabroso como tantos que pipocam todos os dias na mídia e deveria ir adiante em argumentações - o eu se espera do intelectual -, de outro, a mídia nada falou à altura; contentou-se em distilar críticas (no mau sentido da palavra crítica), abriu espaços para esse tipo de crítica (muito pessoal, muito primitiva!) e.... e nada. Uma lástima tudo isso!!! *escrevo sabendo que o professor Janine escreverá no MAIS neste domingo. Se eu tiver algo a falar sobre seu escrito - se houver argumentos para eu falar e se eu souber argumentar a respeito - assim farei. Do contrário, não. E como disse o respeitado sr. Mindlin,se me permite ele reproduzir sua frase, aqui, sobre a discussão em torno do texto de Janine num grupo que almoçava: " o Renato Janine é moço de valor!!" Pois é. Eu também acho. Devagar com o andor, portanto. Ou sabemos o que argumentar quando for o caso, ou ..... vamos parar com esse tchi tchi tchi de alta costura.
Falo mais sobre aqui e acolá na próxima semana.
R.Gazolla
2a. Segurei a pena, segurei.... Mas, o comixão é forte. Meu colega estimado, Renato Janine Ribeiro, diretor da CAPES, é um homem público, assim como o espaço de um jornal é um espaço público. Vai daí que Renato Janine, indignado, não segurou a indignação e usou um espaço público para falar dos seus sentimentos. Aliás, o Prof. Janine trabalha com Política e Paixões há muito tempo. E esse dado é importante, e sabemos, até bem antes de Maquiavel, que não há possibilidade, a não ser por meio de uma cirurgia devastadora, de afastar Política e Paixões. Janine sabe bem disso. Mas....pois é, há um mas... pelo cargo que ocupa há que ter cuidado ao expressar sentimentos que jamais serão só sentimentos mas também é Política. Se eu quisesse mandar uma carta a um jornal sobre a minha indignação quanto a um crime, ou quanto a um rompante do prefeito,
etc..., eu o faria, mas ninguém leria o que escrevi do mesmo modo como leriam o que Janine, dado o seu cargo na CAPES, dissesse. Certo?
2b. Ora, sabemos que quando a mídia acha um assunto para falar, deuses!!!, costuma repeti-lo ad nauseam e os aproveitadores narcisistas, que gostam de aparecer na mídia, os bem intencionados, os inimigos políticos do professor, os jornalistas que têm que pensar no que dizer para preencher seu espaço e fundamentar seu salário... todos, por motivos diversos, escrevem a respeito... e escrevem, e escrevem... e repetem, e nada dizem substancialmente. Por que? Porque o intelectual, como aquele que poderia e deveria pensar nos assuntos cruciais de nossa época e expô-los para argumentos - argumentar é algo a que leitores e intelectuais estão esquecendo que existe - não costumam fazê-lo. E por que não o fazem? Não sei. Ou não têm espaço para isso, ou não conseguem pensar com clareza para oferecer algo para debate de fato. Não sei, mesmo porque é bem difícil, muito difícil, pensar hoje com clareza e argumentos.
2c. Então, se de um lado o meu colega estimado errou a mão ao expressar sua indignação (de todos nós) diante de um acontecimento escabroso como tantos que pipocam todos os dias na mídia e deveria ir adiante em argumentações - o eu se espera do intelectual -, de outro, a mídia nada falou à altura; contentou-se em distilar críticas (no mau sentido da palavra crítica), abriu espaços para esse tipo de crítica (muito pessoal, muito primitiva!) e.... e nada. Uma lástima tudo isso!!! *escrevo sabendo que o professor Janine escreverá no MAIS neste domingo. Se eu tiver algo a falar sobre seu escrito - se houver argumentos para eu falar e se eu souber argumentar a respeito - assim farei. Do contrário, não. E como disse o respeitado sr. Mindlin,se me permite ele reproduzir sua frase, aqui, sobre a discussão em torno do texto de Janine num grupo que almoçava: " o Renato Janine é moço de valor!!" Pois é. Eu também acho. Devagar com o andor, portanto. Ou sabemos o que argumentar quando for o caso, ou ..... vamos parar com esse tchi tchi tchi de alta costura.
Falo mais sobre aqui e acolá na próxima semana.
R.Gazolla

