Os três enterros... - uma colocação curta para poucos.
RG
Quando fui ao cinema assistir esse espantoso filme, algumas pessos saíam na metade, as muito jovens principalmente. Mas, também os mais maduros. E eu alí, grudada na telona. Será que havia algo errado comigo? Estava com uma amiga e ela lá, firme na telona. Eu perguntava: tudo bem? tá gostando? com medo de forçá-la a algo que não queria. E ela: "que surpreendente tudo isso!!"
Eramos duas marginais?
Não é fácil seguir um cadáver e sua decomposição o tempo todo, vá lá... mas T.Lee Jones falando ingles e espanhol, frases curtas, secas como a terra árida da fronteira EUA-México, suficientes, nem uma vogal a mais nem a menos ... deuses, que beleza! Como diziam antigamente, "tiro o chapéu".
Há um jogo de emoções contraditórias e desagradáveis que tomam conta do público (acho eu) que assistiu o filme até o fim: depositamos nosso ódio num jovem com pinta de mariner do Vietnã, um dos guardas da fronteira EUA-Mexico, que atira a esmo a qualquer movimento que vê (vê?), apavorado (não, ele não é sádico), na planície tórrida, quase caatinga. Um animalzinho que se mexe, um vento mais forte nos poucos arbustos e, pronto, ele já mira a "espingardona".
Surpreendente é que amamos o cadáver se decompondo.... e vivemos, nessa morte, as mesmas doces esperanças de Melchíades Estrada, o morto, e sua biografia simples exposta o tempo todo no filme. Lembrei de Garcia Marques...E a lei? ora, a lei... naquela fronteira perdida, o xerife quer mais ter uma boa transa com quem possa, e o resto....que se dane. Ali não há esperas, não há fantasias, é o dia, e mais um dia, e mais um dia... É isso aí. As mulheres? Também nada têm a fazer além de uma boa transa. É isso? Só isso? É...
Porém, o cadáver decomposto, o personagem de T.Lee Jones (Pete) e o jovem guarda trazem a vida a uma região morta. Paradoxal, um cadáver dar vida ao filme? É paradoxal sim, como a vida é paradoxal. E um pouco de movimento vital só se encontrará depois da fronteira, um pequenos vilarejos mexicanos que seguem o ciclo do nascente, poente, inverno, verão...
Se falar mais, conto o filme. Assistam e ...amém.
Eramos duas marginais?
Não é fácil seguir um cadáver e sua decomposição o tempo todo, vá lá... mas T.Lee Jones falando ingles e espanhol, frases curtas, secas como a terra árida da fronteira EUA-México, suficientes, nem uma vogal a mais nem a menos ... deuses, que beleza! Como diziam antigamente, "tiro o chapéu".
Há um jogo de emoções contraditórias e desagradáveis que tomam conta do público (acho eu) que assistiu o filme até o fim: depositamos nosso ódio num jovem com pinta de mariner do Vietnã, um dos guardas da fronteira EUA-Mexico, que atira a esmo a qualquer movimento que vê (vê?), apavorado (não, ele não é sádico), na planície tórrida, quase caatinga. Um animalzinho que se mexe, um vento mais forte nos poucos arbustos e, pronto, ele já mira a "espingardona".
Surpreendente é que amamos o cadáver se decompondo.... e vivemos, nessa morte, as mesmas doces esperanças de Melchíades Estrada, o morto, e sua biografia simples exposta o tempo todo no filme. Lembrei de Garcia Marques...E a lei? ora, a lei... naquela fronteira perdida, o xerife quer mais ter uma boa transa com quem possa, e o resto....que se dane. Ali não há esperas, não há fantasias, é o dia, e mais um dia, e mais um dia... É isso aí. As mulheres? Também nada têm a fazer além de uma boa transa. É isso? Só isso? É...
Porém, o cadáver decomposto, o personagem de T.Lee Jones (Pete) e o jovem guarda trazem a vida a uma região morta. Paradoxal, um cadáver dar vida ao filme? É paradoxal sim, como a vida é paradoxal. E um pouco de movimento vital só se encontrará depois da fronteira, um pequenos vilarejos mexicanos que seguem o ciclo do nascente, poente, inverno, verão...
Se falar mais, conto o filme. Assistam e ...amém.
RG

