Instituto Hypnos

domingo, setembro 03, 2006

Matéria do Jornal da Paraíba enviada a nós por uma leitora. Mandem sempre suas contribuições


Rezadeiras mantêm tradição de trazer a cura

Curando ?mau olhado? e ?vento caído?, as rezadeiras de CG seguem resistindo ao tempo FRANCINETE SILVA



A cura através da reza, uma mistura de ciência, fé e cultura popular, ainda resiste ao tempo. As conhecidas e famosas rezadeiras são encontradas principalmente nas comunidades mais carentes e na zona rural dos municípios paraibanos. Diariamente elas recebem pessoas em suas casas - a maioria crianças - com mau olhado, vento caído e dor de dente, as principais doenças curadas pelas carismáticas e famosas mulheres, normalmente idosas e simples. Apesar do avanço da ciência, as rezadeiras garantem que a cura através da reza sempre continuará existindo, embora reconheçam que hoje não existe mais aquela preocupação dos pais de ensinarem a seus filhos as orações de fé, que resistem há muito tempo.
Além de rezarem, as mulheres da fé também receitam remédios caseiros aos pacientes, feitos à base das plantas e ervas medicinais. Rita Gomes da Silva, 65 anos, moradora da Rua Nossa Senhora Aparecida, no Pedregal, em Campina Grande, faz suas rezas desde a adolescência. Ela conta ter aprendido a rezar com a sua avô, também de nome Rita, que morreu aos 108 anos rezando as pessoas. A mulher tida hoje como a rezadeira mais popular do bairro, reza crianças e adultos. As orações feitas com um raminho verde na mão, com muita concentração, afirma Rita Gomes, sempre levam à cura dos pacientes, que são recebidos na sua humilde casa, normalmente cedinho, quando ela diz estar ?carregada? de energia positiva, após o repouso da noite. As conhecidas rezadeiras, principalmente aqueles que estão na reta final de suas vidas ou se sentem no dever cumprido, prometem repassar os ensinamentos para pessoas da família ou amigas. ?Quando não aguentar mais, vou ensinar a alguém para continuar essa caridade de fé?, diz Rita Gomes. Nas comunidades da zona rural, a presença de rezadeiras jovens já pode ser vista. É o caso de Geraldina Severina Pessoa, 30 anos, moradora do Sítio Massapê, no Distrito de Galante, a 20 km de Campina Grande. Por enquanto, ela diz que se encontra aprimorando as orações para se tornar, no futuro, uma rezadeira famosa. Hoje, ela reza apenas os seus três filhos. Aprendi com a minha mãe a rezar de mau olhado?, ressalta Geraldina, lembrando que algumas pessoas acreditam no seu dom e outras não. Embora sejam ocupadas com outras atividades, as rezadeiras dedicam a maior parte do seu tempo a pessoas que procuram a cura através das rezas. As crianças são os principais clientes. Tem reza para curar de dor dente a dor de barriga e cólica. O trabalho, afirmam as rezadeiras, é gratuito ?porque a palavra de Deus não se vende?, diz a rezadeira Rita Gomes.
Para as rezadeiras, todo mal de reza surge dentro ou fora do ambiente familiar. Elas acreditam que o mau olhado, por exemplo, origina-se do ?excesso de amor? ou ?amor caduco?. Já o vento caído é o resultado de sustos ou medos fortes sofridos pela criança. Muitas mães, mesmo sem acreditar, acabam procurando a ajuda dessas mulheres quando não encontram sucesso em outros tratamentos, a exemplo da auxiliar de serviços gerais Lindaci Albuquerque, que mantém o hábito de ser rezada ?para curar mau olhado?. A costureira Maria José Costa é outra que acredita no dom das rezadeiras. Ela confessa ter procurado essas mulheres várias vezes para curar algumas enfermidades, entre elas inchaço nas pernas. ?Depois meus netos nasceram e sempre que eles apresentavam problemas, principalmente vento caído, eu buscava a cura nas rezadeiras?, lembra Maria José.