::: PÍLULAS :::
Olá meus caros. Sem muitos rodeios, vamos lá, porque estou nervoso:
FALÁCIA DO TAMANHO DE UM TREM
Então eu acordei hoje, liguei na CBN e ouvi uma entrevista genial com Dario Rais Lopes, o secretário dos Transportes de SP, figura brilhante no entendimento dos problemas do transporte público, dizendo que não sentia estar fazendo nada de desumano ao promover o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrô (que vai para absurdos R$ 2,30, sem direito a desconto com bilhetes de ida e volta). Ele obedecia a um argumento estranhíssimo, pra não dizer ridículo: segundo o secretário, quando do último aumento, o salário mínimo podia comprar 120 bilhetes de metrô/trem. Agora, mesmo com este reajuste, o salário mínimo pode comprar 152 bilhetes (ohhhhhh!!!).
Além de rudimentos da lógica, o que o secretário parece desconhecer é que - pasmem - ninguém come, dorme, veste, paga contas de luz, água e eletricidade com bilhetes de metrô/trem. O rombo no orçamento daqueles que dependem de transporte coletivo em SP não é de apenas 9,52% referentes ao incremento no preço das passagens, mas afeta todas as contas dos pobres coitados que dependem destes tranportes e são tratados como gado.
Se você não sabe do que estou falando, vá por volta das 07:30h na integração do trem com o metrô na estação da Luz e veja por si mesmo. Ou melhor, se você sofre de claustrofobia ou não quer chegar ao seu destino com vários hematomas, não vá não. Há uma especie de corredor, feito com canos de ferro, que obriga a um afunilamento inumano, que lembra o procedimento de abate de bois. Demora-se cinco minutos ou mais para vencer uma distância de 10 metros. E não me venha algum genial engenheiro me dizer que é para controle de fluxo nas plataformas do metrô porque nada justifica o tratamento humilhante dado aos usuários. Aí, se você ficar indignado com o que vir, tente ligar pro 0800 da CPTM. Aproveite e faça, com indicaria nossa amiga D. Candinha, um chá de camomila pra não se enraivecer seja com a espera ou com a ineficiência. Ou se você é um burocrata, pense no quanto se perde em produtividade nessa viagem no comboio do inferno.
Para encerrar, veja aqui um comentário de uma economista: "Se a inflação de dezembro fosse ficar em 0,00%, agora, só por conta de transportes públicos, ela já nasce com um piso de 0,69%". Veja a matéria aqui.
Só gênios nos governos...
Olá meus caros. Sem muitos rodeios, vamos lá, porque estou nervoso:
FALÁCIA DO TAMANHO DE UM TREM
Então eu acordei hoje, liguei na CBN e ouvi uma entrevista genial com Dario Rais Lopes, o secretário dos Transportes de SP, figura brilhante no entendimento dos problemas do transporte público, dizendo que não sentia estar fazendo nada de desumano ao promover o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrô (que vai para absurdos R$ 2,30, sem direito a desconto com bilhetes de ida e volta). Ele obedecia a um argumento estranhíssimo, pra não dizer ridículo: segundo o secretário, quando do último aumento, o salário mínimo podia comprar 120 bilhetes de metrô/trem. Agora, mesmo com este reajuste, o salário mínimo pode comprar 152 bilhetes (ohhhhhh!!!).
Além de rudimentos da lógica, o que o secretário parece desconhecer é que - pasmem - ninguém come, dorme, veste, paga contas de luz, água e eletricidade com bilhetes de metrô/trem. O rombo no orçamento daqueles que dependem de transporte coletivo em SP não é de apenas 9,52% referentes ao incremento no preço das passagens, mas afeta todas as contas dos pobres coitados que dependem destes tranportes e são tratados como gado.
Se você não sabe do que estou falando, vá por volta das 07:30h na integração do trem com o metrô na estação da Luz e veja por si mesmo. Ou melhor, se você sofre de claustrofobia ou não quer chegar ao seu destino com vários hematomas, não vá não. Há uma especie de corredor, feito com canos de ferro, que obriga a um afunilamento inumano, que lembra o procedimento de abate de bois. Demora-se cinco minutos ou mais para vencer uma distância de 10 metros. E não me venha algum genial engenheiro me dizer que é para controle de fluxo nas plataformas do metrô porque nada justifica o tratamento humilhante dado aos usuários. Aí, se você ficar indignado com o que vir, tente ligar pro 0800 da CPTM. Aproveite e faça, com indicaria nossa amiga D. Candinha, um chá de camomila pra não se enraivecer seja com a espera ou com a ineficiência. Ou se você é um burocrata, pense no quanto se perde em produtividade nessa viagem no comboio do inferno.
Para encerrar, veja aqui um comentário de uma economista: "Se a inflação de dezembro fosse ficar em 0,00%, agora, só por conta de transportes públicos, ela já nasce com um piso de 0,69%". Veja a matéria aqui.
Só gênios nos governos...
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Ontologia do Pastel
Primeiro, leia aqui a coluna de hoje de Carlos Heitor Cony. Depois, volte a esta janela.
Se você leu e "axou td blz pd fexar a janela e ir tc no msn"...
Só quero comentar dois pontinhos do texto, muito bem escrito, por sinal, do Cony:
Também penso que o vestibular, tal como é aplicado atualmente, reduz "a sabedoria humana a uma espécie de loteria esportiva intelectual". Entretanto, prezado Cony, a culpa do problema do sistema não é do Bechara, do Cegalla nem de nenhum outro gramático. Você se refere à gramática e à ortografia como "convenções mais ou menos abstratas". Ora, mas o que são, por exemplo, as leis civis? Elas são descartáveis por isso? Um discurso, no maior jornal do país, que tem manuais de redação e preza pelo bom uso do vernáculo, se contradiz somente por existir e querer se fazer entender. Não vou desfiar um rosário de argumentos, apenas alertar para a idiossincrasia.
E Cony, ler você falar da "ontologia do pastel" para justificar uma bizarrice com plurais só não é pior do que esse tipo de postura, recorrente hoje em dia, de querer se afinar com os novos tempos com o que eles têm de pior.
Lastimável.
Até.
GF.
Primeiro, leia aqui a coluna de hoje de Carlos Heitor Cony. Depois, volte a esta janela.
Se você leu e "axou td blz pd fexar a janela e ir tc no msn"...
Só quero comentar dois pontinhos do texto, muito bem escrito, por sinal, do Cony:
Também penso que o vestibular, tal como é aplicado atualmente, reduz "a sabedoria humana a uma espécie de loteria esportiva intelectual". Entretanto, prezado Cony, a culpa do problema do sistema não é do Bechara, do Cegalla nem de nenhum outro gramático. Você se refere à gramática e à ortografia como "convenções mais ou menos abstratas". Ora, mas o que são, por exemplo, as leis civis? Elas são descartáveis por isso? Um discurso, no maior jornal do país, que tem manuais de redação e preza pelo bom uso do vernáculo, se contradiz somente por existir e querer se fazer entender. Não vou desfiar um rosário de argumentos, apenas alertar para a idiossincrasia.
E Cony, ler você falar da "ontologia do pastel" para justificar uma bizarrice com plurais só não é pior do que esse tipo de postura, recorrente hoje em dia, de querer se afinar com os novos tempos com o que eles têm de pior.
Lastimável.
Até.
GF.

