Instituto Hypnos

terça-feira, maio 23, 2006

Considerações bem temporâneas

Pois é... nosso site andou meio lento nestes dias de simpósio e de loucura no cotidiano de SPaulo. Há muito o que falar, há muito no que pensar. Mais uma vez, a mídia mostrou sua incompetência fazendo uma cobertura dos fatos ao estilo "grande circo de horrores": por mais de 10 vezes mostrou os mesmos ônibus incendiados; em inúmeras palavras trataram de preencher espaços vazios de notícias, repetindo, em má retórica, o que já haviam dito ad nauseam...; os títulos nos jornais eram ridículos.

Mais, e gravíssimo, emissoras de TV chamaram para entrevistas certas pessoas que JAMAIS poderiam falar sobre os acontecimentosd: meninas ingênuas e apavoradas, pessoas que dizem depender de celular e 'choravam' pela falta deles para poder 'sobreviver' (ah, por falar nisso, não tenho celular e sobrevivo com fixos) e, o mais grave, entrevistaram um dos responsáveis pelo massacre do Carandiru, o sr. deputado (?) Fleury que, pelo tom das respostas não aprendeu nada com a morte de 111 presos. Será problema de sinapses?

No entanto, por pior que tenha sido a mídia, por mais deslimitadas que tenham sido as notícias para outros estados brasileiros e outros países (ao menos os que creram nas imagens e falas ininterruptas e enfadonhas dos jornalistas), não foi isso que me espantou. Não esperava a facilidade e rapidez com que as pessoas entrariam em pânico. Não, não esperava, e isso me deixa pensando muito. Algo angustiante me pega lá no fundo da alma. Não houve um segundo de "parada" para tentar um pensamento claro, não houve crítica, não houve ponderação da situação, simplesmente... houve medo, medo, medo!!! Por quê? De quê, afinal? De Marcola entrar na sua casa, leitor? Ah, o medo, o pânico, é essa a pergunta que me fica, por agora sem resposta.

Esta semana, ainda pretendo comentar algo sobre a matança (polícia versus bandido versus cidadão comum e a formação de novos grupos de extermínio policiais e os já velhos grupos de extermínio ligados ao tráfico....Cruzes! Que os deuses nos guardem! Que temos a dizer aos nossos filhos e netos?


RG