::: PÍLULAS :::
Vamos às pequenas doses semanais:
Mutilações
Desde o acidente com o Boeing da Gol há algumas semanas, um aspecto tem me incomodado muito. Tão logo as buscas e, conseqüentemente, o resgate dos corpos das vítimas, se iniciaram a onda de emails, scraps no orkut e por todas as outras "fendas" pelas quais isso pudesse se alastrar, com imagens - reais ou não, isso pouco importa - dos corpos das vítimas que obviamente, pela gravidade do acontecido, estavam mutilados. Fotos horríveis, chocantes, mas que alcançaram um tal grau de popularidade que ficou difícil evitar um link ou um email propondo a visitação a tal "museu" onde, à semelhança do inferno dantesco, deveríamos deixar toda a... humanidade.
Nada há de novo nesse meu espanto. É conhecida, por exemplo, a análise que o pensador francês George Bataille fez de fotos de mutilações rituais e todo o seu arrazoado sobre o pathós erótico que ingere na curiosidade bizarra pela "plasticidade" do corpo. Ainda assim, despretensiosamente, concluo por uma certa mutilação também do universal "Humano". O pathós que parece exercer influência aqui é o do esvaziamento de sentido e dignidade que poderiam revestir os corpos, humanos, é importante que se diga.
Aparece então, por detrás, um problema mal resolvido, que não parece ser apenas de lógica. O desprezo pelo objeto, que recobre a visão daquelas imagens, se endereçaria, talvez, à propria Morte, como fonte de temor e de tremor horripilantes. Mas o fato de um rapaz, no trem, portar as fotos no celular, onde outrora havia a foto da esposa com o filho, não se assemelha a uma simples e obstinada recusa. Poderia-se dizer que talvez se queira manter, bem ao alcance dos olhos, aquilo que se quer evitar mas, ainda assim, há um especto de insignificância que atinge não apenas os cadáveres apropriados pelos 'olhos midiáticos', mas termina por impregnar o olho, ele próprio, e sua capacidade de visão.
Para quê Filosofia
Então é assim: poucos dias depois de uma decisão federal sobre a obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia no ensino médio, nas escolas de todo o país, o Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo envia uma proposta de discussão - que foi aceita - à Câmara Estadual, a fim de contestar tal obrigatoriedade já para o ano letivo de 2007. Veja lá no site do CEE.
Em breve mais novidades sobre esse caso, aqui no site do Instituto Hypnos.
Banco da Paz
Pois é, pode parecer estranho, sobretudo para nós da Terra Brasilis, mas o ganhador do Prêmio Nobel da Paz deste ano foi um banco, ou melhor, o seu idealizador, Muhammad Yunus. Yunus é economista e fundou o Grammen Bank para levar financiamento e crédito para pessoas paupérrimas, na sua maioria mulheres, na Índia. Belo exemplo.
Visite o site do banco no link acima e veja a notícia aqui.
É isso meus amigos.
GF
PS: Quase ia me esquecendo. Veja o post do último dia 5 do excelente Imprensa Marrom, sobre a ridícula "metáfora" do jornalista Carlos Chagas, e toda a celeuma criada pela "Sociedade dos Amigos de Plutão". E viva a imprensa!
Vamos às pequenas doses semanais:
Mutilações
Desde o acidente com o Boeing da Gol há algumas semanas, um aspecto tem me incomodado muito. Tão logo as buscas e, conseqüentemente, o resgate dos corpos das vítimas, se iniciaram a onda de emails, scraps no orkut e por todas as outras "fendas" pelas quais isso pudesse se alastrar, com imagens - reais ou não, isso pouco importa - dos corpos das vítimas que obviamente, pela gravidade do acontecido, estavam mutilados. Fotos horríveis, chocantes, mas que alcançaram um tal grau de popularidade que ficou difícil evitar um link ou um email propondo a visitação a tal "museu" onde, à semelhança do inferno dantesco, deveríamos deixar toda a... humanidade.
Nada há de novo nesse meu espanto. É conhecida, por exemplo, a análise que o pensador francês George Bataille fez de fotos de mutilações rituais e todo o seu arrazoado sobre o pathós erótico que ingere na curiosidade bizarra pela "plasticidade" do corpo. Ainda assim, despretensiosamente, concluo por uma certa mutilação também do universal "Humano". O pathós que parece exercer influência aqui é o do esvaziamento de sentido e dignidade que poderiam revestir os corpos, humanos, é importante que se diga.
Aparece então, por detrás, um problema mal resolvido, que não parece ser apenas de lógica. O desprezo pelo objeto, que recobre a visão daquelas imagens, se endereçaria, talvez, à propria Morte, como fonte de temor e de tremor horripilantes. Mas o fato de um rapaz, no trem, portar as fotos no celular, onde outrora havia a foto da esposa com o filho, não se assemelha a uma simples e obstinada recusa. Poderia-se dizer que talvez se queira manter, bem ao alcance dos olhos, aquilo que se quer evitar mas, ainda assim, há um especto de insignificância que atinge não apenas os cadáveres apropriados pelos 'olhos midiáticos', mas termina por impregnar o olho, ele próprio, e sua capacidade de visão.
Para quê Filosofia
Então é assim: poucos dias depois de uma decisão federal sobre a obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia no ensino médio, nas escolas de todo o país, o Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo envia uma proposta de discussão - que foi aceita - à Câmara Estadual, a fim de contestar tal obrigatoriedade já para o ano letivo de 2007. Veja lá no site do CEE.
Em breve mais novidades sobre esse caso, aqui no site do Instituto Hypnos.
Banco da Paz
Pois é, pode parecer estranho, sobretudo para nós da Terra Brasilis, mas o ganhador do Prêmio Nobel da Paz deste ano foi um banco, ou melhor, o seu idealizador, Muhammad Yunus. Yunus é economista e fundou o Grammen Bank para levar financiamento e crédito para pessoas paupérrimas, na sua maioria mulheres, na Índia. Belo exemplo.
Visite o site do banco no link acima e veja a notícia aqui.
É isso meus amigos.
GF
PS: Quase ia me esquecendo. Veja o post do último dia 5 do excelente Imprensa Marrom, sobre a ridícula "metáfora" do jornalista Carlos Chagas, e toda a celeuma criada pela "Sociedade dos Amigos de Plutão". E viva a imprensa!

