Instituto Hypnos

terça-feira, maio 30, 2006

Ahn, mas você achava que já era o fim?

Então toma essa:

"O CÓDIGO ALEIJADINHO

A investigação da estranha morte de um especialista em arte barroca desencadeia uma trama surpreendente, que entrelaça suspense, arte, erudição, história e um alucinante mergulho em mistérios jamais imaginados.
O morto era diretor do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), e seu corpo foi encontrado no interior da famosa Igreja da Sé de Mariana, em Minas Gerais. Pouco antes ele havia telefonado para um amigo dizendo ter feito uma descoberta que iria "revolucionar o mundo da arte".

e blá, blá, blá... e por aí vai.

Obviamente, me recuso a comentar, já que essas poucas palavras falam mais do que 1000 imagens...

Veja mais (se tiver estômago), no Globo Online

GF



segunda-feira, maio 29, 2006

Futebolização da Vida.


Deixa eu falar logo antes que me acusem de oportunista: a Copa nem começou mas já estou farto do ufanismo tolo e da sobrecarga futebolística.

1) Chega ser irritante à alma a exposição exaustiva da retina às cores verde e amarelo. Não quero engrossar os comentários já clássicos em relação ao súbito patriotismo pelo qual o povo brasileiro é acometido quando das competições esportivas, sobretudo de futebol. Entretanto, causa pânico o estado a que chegam as pessoas ao assumirem um tom quase apologético nas manifestações de amor ao país. Causa pânico pra não dizer pena. Certo estava Pascal com sua análise do divertissement sem o qual somos obrigados a encarar nos olhos o peso da existência, que aqui poderia ser trocado pela proposição "peso da existência em terra brasilis".

2) Mas, segundo aquele nobre pensador já conhecido de todos, nada é tão ruim que não possa piorar. E existe a mídia. E existem alguns órgãos de imprensa que nos brindam com cadernos como "Futebologia 1" (sim, provavelmente vai ter o 2) da Folha de São Paulo do domingo, dia 28, desacreditando "ingênuos", como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos ou ainda Lima Barreto, que não tiveram a sagacidade e, por que não dizer, a inteligência de ver no esporte bretão em seu início por aqui, a sabedoria quase metafísica que irrompe daqueles homens diletos correndo atrás de uma esfera de couro ou ainda os velhos clichês sobre as propriedades catárticas do espetáculo.

Mas vocês acham que isso é o fim? Também tolos são vocês, ou não sabem do que a ardilosa mente do homo jornalisticus é capaz? Na última página do tal caderno, somos brindados com o encontro explosivo - e pretensamente fecundo - da filosofia com o futebol, de onde brotam pérolas tendo como subtítulos: "A torcida ou: Primeiro Motor", "Quem não faz toma ou: O Eterno Retorno do Mesmo" pra não dizer do duplamente infeliz "Futebol de Resultados ou: A Razão Instrumental": penso que Horkheimer adoraria ver sua expressão saindo das imprensas a serviço da indústria cultural... Tudo obviamente, desde o início, redimido pelo espírito matreiro de nossa incontestável paixão pelo futebol que pode aplainar qualquer discurso ou qualquer pretensão de seriedade que agora é vista como mau-humor, ou, pra ficar na chave de tal opúsculo: como consciência infeliz.

GF

PS: Antes que alguém me acuse de ter omitido as citações de Camus contidas no caderno, já alerto que em nenhum de seus ensaios filosóficos o futebol aparece como pressuposto antropológico.

Consequências funestas

1) Vejam, leitores, se estou exagerando: uma revista semanal que coloca o "Marcola" na capa (eu disse, capa!), e me obriga a falar de dum bandido num blog, essa revista merece o quê? Com tanta promotoria em exposição na mídia, até onde podemos contar com a libertinagem de certos meios da mídia? Parece que existe uma tal de "Etica" no jornalismo...ou não? Se existe, como acioná-la?

2) Não está bem explicada a saída do sr. Furukawa da direção dos presídios (é esse o nome do cargo?). O sr. Claudio Lembo (é o governador de SP, "lembram"?), anda falando firmemente (ué! era tão quietinho e dolce!; o que pode fazer o poder...) que o cargo perdido pelo técnico (administrativo) Furukawa, ou seja, lidar com bandidos nas prisões, criar novas prisões, estabelecer uma espécie de intermediação entre prisioneiros, técnicos administrativos de prisões e judiciário, etc...) deve ser um cargo "político". Socorro!!! Já não basta o mergulho excessivamente partidário da secretaria de segurança pública (com minúsculas mesmo, não é erro)?

3)Parei - uma semana e mais um pouco - de ler jornais e revistas para ver o que ocorria comigo. Vez ou outra assistia um noticiário na TV... Bom, a repetição é tanta que não perdi NADA! No entanto, devo confessar que fiquei atrasada com a parte cultural. É interessante pensar no que a mídia pode estar ou não passando para nossa cabecinha...


RG

domingo, maio 28, 2006

Lembretes para não lembrar:

- Lembrar de não acreditar no pensamento estratégico de nossos governantes, já que pagaram 10 milhões pro astronauta, por fim, fazer um belo upgrade em sua carreira de conferencista, haja visto que ele aposentou-se.

- Lembrar de não confiar em CPIs. O deputado Vadão Gomes que me ajude;

- O que me lembra de não lembrar da gasolina que dava pra ir 400 vezes pra lua e das ambulâncias;

- Não lembrar de dar ouvidos ao que dizem as revistas semanais; o que me lembra de refletir sobre qual poder eu tenho mais medo;

- Não lembrar do absurdo que é o governo deixar o maior museu da América Latina no escuro.


O que mais vocês querem lembrar de não lembrar?

GF

terça-feira, maio 23, 2006

Considerações bem temporâneas

Pois é... nosso site andou meio lento nestes dias de simpósio e de loucura no cotidiano de SPaulo. Há muito o que falar, há muito no que pensar. Mais uma vez, a mídia mostrou sua incompetência fazendo uma cobertura dos fatos ao estilo "grande circo de horrores": por mais de 10 vezes mostrou os mesmos ônibus incendiados; em inúmeras palavras trataram de preencher espaços vazios de notícias, repetindo, em má retórica, o que já haviam dito ad nauseam...; os títulos nos jornais eram ridículos.

Mais, e gravíssimo, emissoras de TV chamaram para entrevistas certas pessoas que JAMAIS poderiam falar sobre os acontecimentosd: meninas ingênuas e apavoradas, pessoas que dizem depender de celular e 'choravam' pela falta deles para poder 'sobreviver' (ah, por falar nisso, não tenho celular e sobrevivo com fixos) e, o mais grave, entrevistaram um dos responsáveis pelo massacre do Carandiru, o sr. deputado (?) Fleury que, pelo tom das respostas não aprendeu nada com a morte de 111 presos. Será problema de sinapses?

No entanto, por pior que tenha sido a mídia, por mais deslimitadas que tenham sido as notícias para outros estados brasileiros e outros países (ao menos os que creram nas imagens e falas ininterruptas e enfadonhas dos jornalistas), não foi isso que me espantou. Não esperava a facilidade e rapidez com que as pessoas entrariam em pânico. Não, não esperava, e isso me deixa pensando muito. Algo angustiante me pega lá no fundo da alma. Não houve um segundo de "parada" para tentar um pensamento claro, não houve crítica, não houve ponderação da situação, simplesmente... houve medo, medo, medo!!! Por quê? De quê, afinal? De Marcola entrar na sua casa, leitor? Ah, o medo, o pânico, é essa a pergunta que me fica, por agora sem resposta.

Esta semana, ainda pretendo comentar algo sobre a matança (polícia versus bandido versus cidadão comum e a formação de novos grupos de extermínio policiais e os já velhos grupos de extermínio ligados ao tráfico....Cruzes! Que os deuses nos guardem! Que temos a dizer aos nossos filhos e netos?


RG

quarta-feira, maio 10, 2006

Os três enterros... - uma colocação curta para poucos.

Quando fui ao cinema assistir esse espantoso filme, algumas pessos saíam na metade, as muito jovens principalmente. Mas, também os mais maduros. E eu alí, grudada na telona. Será que havia algo errado comigo? Estava com uma amiga e ela lá, firme na telona. Eu perguntava: tudo bem? tá gostando? com medo de forçá-la a algo que não queria. E ela: "que surpreendente tudo isso!!"

Eramos duas marginais?

Não é fácil seguir um cadáver e sua decomposição o tempo todo, vá lá... mas T.Lee Jones falando ingles e espanhol, frases curtas, secas como a terra árida da fronteira EUA-México, suficientes, nem uma vogal a mais nem a menos ... deuses, que beleza! Como diziam antigamente, "tiro o chapéu".

Há um jogo de emoções contraditórias e desagradáveis que tomam conta do público (acho eu) que assistiu o filme até o fim: depositamos nosso ódio num jovem com pinta de mariner do Vietnã, um dos guardas da fronteira EUA-Mexico, que atira a esmo a qualquer movimento que vê (vê?), apavorado (não, ele não é sádico), na planície tórrida, quase caatinga. Um animalzinho que se mexe, um vento mais forte nos poucos arbustos e, pronto, ele já mira a "espingardona".

Surpreendente é que amamos o cadáver se decompondo.... e vivemos, nessa morte, as mesmas doces esperanças de Melchíades Estrada, o morto, e sua biografia simples exposta o tempo todo no filme. Lembrei de Garcia Marques...E a lei? ora, a lei... naquela fronteira perdida, o xerife quer mais ter uma boa transa com quem possa, e o resto....que se dane. Ali não há esperas, não há fantasias, é o dia, e mais um dia, e mais um dia... É isso aí. As mulheres? Também nada têm a fazer além de uma boa transa. É isso? Só isso? É...

Porém, o cadáver decomposto, o personagem de T.Lee Jones (Pete) e o jovem guarda trazem a vida a uma região morta. Paradoxal, um cadáver dar vida ao filme? É paradoxal sim, como a vida é paradoxal. E um pouco de movimento vital só se encontrará depois da fronteira, um pequenos vilarejos mexicanos que seguem o ciclo do nascente, poente, inverno, verão...
Se falar mais, conto o filme. Assistam e ...amém.


RG

quinta-feira, maio 04, 2006

Evo Morales e a Petrobrás

Já era mais que esperada a nacionalização da extração de hidrocarboretos, etc..., por Evo Morales. Nós, que sempre defendemos o nosso próprio solo, não queremos entregar a Amazônia em mãos internacionais, queremos? Dito isso, é claro que Evo Morales tem compromissos eleitorais para manter-se o máximo de tempo no poder, e nacionalizar é o que ele tem que fazer, certamente, e com muito ruído, como foi prometido "trocentas" vezes. A imprensa adora!!! Ao menos tem como preencher seu tempo, papéis, etc..com notícias aparentemente novas e estranhíssimas (para dizer o mínimo). E não falo só da imprensa nacional. Que se leia a "maluquice" do NYTimes sobre o assunto.

Muito bem: a Petrobrás está há meses discutindo as consequências da nacionalização esperadíssima, inclusive o aumento do gás que, segundo entendidos, será perfeitamente absorvido. A questão,agora, são os contratos e a luta de braço para cada país conseguir, financeiramente, o melhor para si mesmo. A Bolívia, como se sabe, ainda não tem mão de obra especializada para retirar a Petrobrás de suas terras. Mas... pode vir a ter. Demora.... e muito.

Que Evo Morales faça bravatas para a mídia, como costuma fazer Hugo Chávez, é óbvio. Ele tem que fazer isso! O teatro é sempre esperado na "Política" (vide nossas CPIs). Mas, o que se passa de fato está nos bastidores. O resto é muita conversa. O resto.... é o resto. Atentem aos próximos passos.

O "populismo" que "pode tomar conta da América do Sul", expressões que começam a ser empregadas pela imprensa mundial, é uma piada! Já ouvi isso "n" vezes em meus tempos estudantis. E olhem que faz tempo (mas, sobre tempo e idades, deixemos de lado o assunto).

RG

terça-feira, maio 02, 2006

No Limite do Humano




Para além das observações mais imediatas que irrompem já nos primeiros momentos do filme - sobre racismo, minorias étnicas e exclusões sociais -, Crash - No limite, merece mais cuidado. O locus onde se desenrola a narrativa não é apenas uma grande cidade dos EUA, mas é todo o Ocidente moderno - ou pós-moderno, que seja - que se impõe com severidade em toda sua tensão imanente, que deixa-se entrever pelas reações abruptas dos personagens e seus respectivos conflitos.

A tensão da qual falamos é o próprio páthos ético, e eis a universalidade da problemática levantada pelo filme (o que garante uma boa parcela de seu sucesso). Entre decidir atravessar a rua ao ver pessoas suspeitas ou sujeitar-se à humilhações empreendidas pelo Estado, os embates aparentemente escorados em questões raciais ou declives sociais, fazem apenas ressaltar todo o pano de fundo valorativo em que nos encontramos. Assim, ver o filme é também colocar-se em xeque na medida em que estamos todos submersos nesse mar de insegurança quanto ao futuro que nos faz viver em grandes cidades como viveríamos em grandes trincheiras.

Vejam e depois me contem.

GF.